"Um país se faz com homens e livros". Essa frase do ilustre escritor Monteiro Lobato sintetiza bem a tese de que a leitura é um dos tijolos necessários à construção da cidadania. Mas, afinal, como um ato tão simples como o de ler pode apresentar consequências tão positivas e substanciais?
Isso se deve ao fato de que, muitas vezes, poucas palavras agregam uma densidade de significados enorme. Para interpretá-las, é fundamental estabelecer relações intertextuais nem sempre óbvias, o que força a mente a se expandir de uma maneira sem precedentes.
A implicação dessa ação é, sem dúvida, a expansão dos horizontes. É como se fossemos míopes antes e, após a leitura, passássemos a ler de óculos com nitidez de olhos de águia. Ora, tamanho crescimento intelectual poderá imbuir os indivíduos de criticidade e, assim, eles terão a noção de que é possível promover mudanças positivas na sociedade. Enfim, como afirma o inteligentíssimo cientista Albert Einstein, "A mente que se abre a uma nova idéia[sic] jamais voltará ao seu tamanho original.".
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
O fim dos malditos frutos
Um jovem homossexual anda tranquilamente na rua acompanhado por um amigo. Eles conversam enquanto caminham pela calçada. De repente, um adolescente preconceituoso os avista, pega uma lâmpada e a quebra no rosto de um dos jovens. Essa cena, infelizmente, não é a de um roteiro de cinema. Ela aconteceu, de fato, no ano de 2010. Esse é um exemplo trágico de intolerância vivenciado pela população brasileira. Aliás, a intolerância é uma árvore maldito cujos frutos devem ser destruídos.
Um deles é, sem dúvida, a intolerância religiosa. Muitos integrantes de certos cultos religiosos acreditam fervorosamente que a única religião válida é aquela que eles praticam. E, por mais incrível que possa parecer, matam em nome de um deus e ainda alegam que serão recompensados por terem promovido uma "purificação". Essas são as "Cruzadas" contemporâneas. Elas são bem visíveis principalmente no Oriente Médio.
Outro exemplar é a intolerância sexual. É lamentável constatar a existência de grupos cujo único objetivo é exterminar todos os indivíduos que apresentem orientação sexual considerada fora do padrão, tal como gays, lésbicas e travestis. Nesse caso, é explícito o fato de que, nesse jogo de xadrez, vidas humanas são colocadas em xeque. Ora, é imperativo não permitir atos dessa natureza. O convívio em sociedade requer a aceitação de idiossincrasias diferentes. A unicidade de cada ser humano é o adubo que enriquece a existência humana na Terra.
Enfim, é possível citar vários "irmãos" que pertencem à família desse "vegetal" detestável. É ele- a intolerância- que faz com que a maioria dos indivíduos concorde com a frase de Sartre: "O Inferno são os Outros.".E ainda podemos complementar esse pensamento pessimista com uma constatação de Rousseau: "O homem é bom, a sociedade é que o corrompe.".Nesse caso, espera-se que os indivíduos sejam capazes de cortar esse mal pela raiz, para que se acabe com os "Infernos" e, também, para não se observe mais homens sendo corrompidos que façam jus às palavras de Thomas Hobbes: "O homem é o lobo do próprio homem.".
Essa foi a redação que eu escrevi na prova da Unifesp(16/12/2010). Espero que os corretores gostem dela. Isso me ajudaria muito !! Há mais de um mês eu não posto nada aqui. Decidi presenteá-los com esse texto que, na minha opinião, foi o melhor que eu produzi em 2010, juntamente com o "Baile de máscaras Veneziano".
Desejo aos visitantes desse blog um belo Natal e um 2011 inesquecível. Não deixem de viver intensamente e de realizar os seus maiores sonhos. E, quando tiverem um pouquinho de tempo, passem aqui e deixem os seus comentários. Será um prazer respondê-los.
Um grande abraço !
Um deles é, sem dúvida, a intolerância religiosa. Muitos integrantes de certos cultos religiosos acreditam fervorosamente que a única religião válida é aquela que eles praticam. E, por mais incrível que possa parecer, matam em nome de um deus e ainda alegam que serão recompensados por terem promovido uma "purificação". Essas são as "Cruzadas" contemporâneas. Elas são bem visíveis principalmente no Oriente Médio.
Outro exemplar é a intolerância sexual. É lamentável constatar a existência de grupos cujo único objetivo é exterminar todos os indivíduos que apresentem orientação sexual considerada fora do padrão, tal como gays, lésbicas e travestis. Nesse caso, é explícito o fato de que, nesse jogo de xadrez, vidas humanas são colocadas em xeque. Ora, é imperativo não permitir atos dessa natureza. O convívio em sociedade requer a aceitação de idiossincrasias diferentes. A unicidade de cada ser humano é o adubo que enriquece a existência humana na Terra.
Enfim, é possível citar vários "irmãos" que pertencem à família desse "vegetal" detestável. É ele- a intolerância- que faz com que a maioria dos indivíduos concorde com a frase de Sartre: "O Inferno são os Outros.".E ainda podemos complementar esse pensamento pessimista com uma constatação de Rousseau: "O homem é bom, a sociedade é que o corrompe.".Nesse caso, espera-se que os indivíduos sejam capazes de cortar esse mal pela raiz, para que se acabe com os "Infernos" e, também, para não se observe mais homens sendo corrompidos que façam jus às palavras de Thomas Hobbes: "O homem é o lobo do próprio homem.".
Essa foi a redação que eu escrevi na prova da Unifesp(16/12/2010). Espero que os corretores gostem dela. Isso me ajudaria muito !! Há mais de um mês eu não posto nada aqui. Decidi presenteá-los com esse texto que, na minha opinião, foi o melhor que eu produzi em 2010, juntamente com o "Baile de máscaras Veneziano".
Desejo aos visitantes desse blog um belo Natal e um 2011 inesquecível. Não deixem de viver intensamente e de realizar os seus maiores sonhos. E, quando tiverem um pouquinho de tempo, passem aqui e deixem os seus comentários. Será um prazer respondê-los.
Um grande abraço !
domingo, 21 de novembro de 2010
Vida diluída e narrativa
Olá, nobres leitores ! Deveria dizer leitoras, até porque aqui elas são a maioria que dedicam parte do precioso tempo livre que apresentam em suas rotinas cotidianas muitas vezes caótica. Mas o que posso dizer...A gramática é machista. Estão vendo o título acima? Ele é a síntese de como me sinto nesse momento. Cometi um erro que diluiu meu futuro. E COMO !
Já sei, vocês não são o meu "Muro das lamentações" particular. Por isso, escrevi uma pequena narrativa. Na verdade, essa é uma proposta de redação da Unicamp 2010. Fala sobre a convivência da geração mais jovem com os mais velhos. Divirtam-se ! E já alerto: esse não é um texto autobiográfico.
Vida, uma eterna (des)construção
Sou um jovem comum. Tenho 21 anos e, atualmente, curso engenharia civil. Chegar a esse estágio não foi brincadeira. Foram três- sim, isso mesmo! - anos de curso pré-vestibular. Pouca balada, poucos encontros com os amigos, enfim...Anos de sacrifício.
Quando finalmente conquistei a minha vaga na universidade, mudei de endereço. Passei a morar com os meus avós. Pensei que não fosse enfrentar dificuldades, pois sempre adorei visitá-los. Quanta ingenuidade !
Já nos primeiros dias, tive que conferir se eles realmente estavam tomando todos os remédios no horário certo. Que trabalho ! Os dois fogem de comprimidos tal como a presa foge do predador. E ensiná-los a mexer no computador? Nossa...Eles não se lembravam de nada que eu explicava. E a tudo isso se somava as broncas que eu recebia toda vez que eu voltava tarde de uma festa.
O lado bom de todo esse convívio é, sem dúvida, a troca de experiências. Os dois eram formados em em engenharia civil e, apesar da idade, a memória deles me causava espanto. Imagine você que eles respondiam às minhas dúvidas sobre resistência dos materiais ! E a isso se integrava um carinho e um respeito inigualáveis.
Embora os conflitos entre as nossas gerações sejam de difícil solução, o amor de avós e de netos prevalece. Na engenharia civil, construirei e demolirei prédios e casas. Na vida, tanto eu como os meus avós viveremos em constante transformação, construindo e desconstruindo saberes. E assim continuamos evoluindo. Fazemos jus à música de Raul Seixas: "...Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante/ do que ter aquela opinião formada sobre tudo...".
Já sei, vocês não são o meu "Muro das lamentações" particular. Por isso, escrevi uma pequena narrativa. Na verdade, essa é uma proposta de redação da Unicamp 2010. Fala sobre a convivência da geração mais jovem com os mais velhos. Divirtam-se ! E já alerto: esse não é um texto autobiográfico.
Vida, uma eterna (des)construção
Sou um jovem comum. Tenho 21 anos e, atualmente, curso engenharia civil. Chegar a esse estágio não foi brincadeira. Foram três- sim, isso mesmo! - anos de curso pré-vestibular. Pouca balada, poucos encontros com os amigos, enfim...Anos de sacrifício.
Quando finalmente conquistei a minha vaga na universidade, mudei de endereço. Passei a morar com os meus avós. Pensei que não fosse enfrentar dificuldades, pois sempre adorei visitá-los. Quanta ingenuidade !
Já nos primeiros dias, tive que conferir se eles realmente estavam tomando todos os remédios no horário certo. Que trabalho ! Os dois fogem de comprimidos tal como a presa foge do predador. E ensiná-los a mexer no computador? Nossa...Eles não se lembravam de nada que eu explicava. E a tudo isso se somava as broncas que eu recebia toda vez que eu voltava tarde de uma festa.
O lado bom de todo esse convívio é, sem dúvida, a troca de experiências. Os dois eram formados em em engenharia civil e, apesar da idade, a memória deles me causava espanto. Imagine você que eles respondiam às minhas dúvidas sobre resistência dos materiais ! E a isso se integrava um carinho e um respeito inigualáveis.
Embora os conflitos entre as nossas gerações sejam de difícil solução, o amor de avós e de netos prevalece. Na engenharia civil, construirei e demolirei prédios e casas. Na vida, tanto eu como os meus avós viveremos em constante transformação, construindo e desconstruindo saberes. E assim continuamos evoluindo. Fazemos jus à música de Raul Seixas: "...Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante/ do que ter aquela opinião formada sobre tudo...".
domingo, 24 de outubro de 2010
Fundo do baú
Olá a todos !
Finalmente o dono do blog resolve dar sinal de vida ! Se bem que as visitas andam raras, o que não é um motivo de alegria para o escritor que vos fala. Estava arrumando parte dos objetos do meu quarto para realizar a mudança e encontrei uma crônica que escrevi na oitava série ( não sei como esse papel não foi jogado fora!). Que grata surpresa ! E achei também um soneto, ambos sobre idosos. Vejam:
Soneto do Idoso
Felicidades fizeram o tempo passar.
Tristezas passaram, mesmo torturantes,
Como o vento esvoaçante
Que passou de repente.
Cabelos brancos apareceram.
Os outros transformaram-se como mágica.
Da pele o liso virou o rugoso
Do que um dia era sedoso.
Dos amigos, poucas amizades
que resistiram ao tempo
que passou de repente.
O preconceito apareceu num instante
Que acaba com toda alta estima
De quem uma vida viveu.
E a crônica junto com o comentário da professora (perdoem-me o exibicionismo, mas não resisti!):
Como é difícil envelhecer
Tudo está mudando em mim...Pele, rosto, o corpo em geral...Tenho dificuldades, aliás muitas, e só agora estou começando a aceitá-las...
Viver bem com a aposentadoria no Brasil está cada vez mais difícil...Felizmente não preciso usar a aposentadoria para comprar remédios...Ainda bem, pois com todos os preços aumentando hoje em dia, eu economizo bastante...
Tem aqueles que, quando me vêem na rua ou em outro lugar, me desrespeitam completamente como pessoa...Sinceramente, eu não sou obrigado a aturar tal desrespeito, mas eu tenho pena dessas pessoas...Elas não sabem como é bom compartilhar experiências com pessoas mais velhas...
E, mesmo com todas essas dificuldades, que são totalmente mesquinhas, sou feliz. Tenho família, amigos, netos...Tenho uma vida normal, com saúde e harmonia.
Comentário da professora : " Você foi muito feliz ao escrever sua crônica, pois conseguiu me passar um texto reflexivo e crítico, e mais, pareceu sim que você era um idoso mesmo. "
E assim acontece a ressurgência das minhas memórias...Mais uma vez...Boa semana a todos !
Finalmente o dono do blog resolve dar sinal de vida ! Se bem que as visitas andam raras, o que não é um motivo de alegria para o escritor que vos fala. Estava arrumando parte dos objetos do meu quarto para realizar a mudança e encontrei uma crônica que escrevi na oitava série ( não sei como esse papel não foi jogado fora!). Que grata surpresa ! E achei também um soneto, ambos sobre idosos. Vejam:
Soneto do Idoso
Felicidades fizeram o tempo passar.
Tristezas passaram, mesmo torturantes,
Como o vento esvoaçante
Que passou de repente.
Cabelos brancos apareceram.
Os outros transformaram-se como mágica.
Da pele o liso virou o rugoso
Do que um dia era sedoso.
Dos amigos, poucas amizades
que resistiram ao tempo
que passou de repente.
O preconceito apareceu num instante
Que acaba com toda alta estima
De quem uma vida viveu.
E a crônica junto com o comentário da professora (perdoem-me o exibicionismo, mas não resisti!):
Como é difícil envelhecer
Tudo está mudando em mim...Pele, rosto, o corpo em geral...Tenho dificuldades, aliás muitas, e só agora estou começando a aceitá-las...
Viver bem com a aposentadoria no Brasil está cada vez mais difícil...Felizmente não preciso usar a aposentadoria para comprar remédios...Ainda bem, pois com todos os preços aumentando hoje em dia, eu economizo bastante...
Tem aqueles que, quando me vêem na rua ou em outro lugar, me desrespeitam completamente como pessoa...Sinceramente, eu não sou obrigado a aturar tal desrespeito, mas eu tenho pena dessas pessoas...Elas não sabem como é bom compartilhar experiências com pessoas mais velhas...
E, mesmo com todas essas dificuldades, que são totalmente mesquinhas, sou feliz. Tenho família, amigos, netos...Tenho uma vida normal, com saúde e harmonia.
Comentário da professora : " Você foi muito feliz ao escrever sua crônica, pois conseguiu me passar um texto reflexivo e crítico, e mais, pareceu sim que você era um idoso mesmo. "
E assim acontece a ressurgência das minhas memórias...Mais uma vez...Boa semana a todos !
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
O fármaco virtual
Um dos fatos históricos que exerceu- e ainda exerce- grande influência na sociedade é, sem dúvida, a disseminação da internet. Com ela, vieram vantagens, tais como uma troca de informações mais rápida entre os indivíduos; porém, na "Pasárgada" imaginária, nem tudo são flores. Por quê?
Simples. A "terra do WWW" é, para alguns, o ópio da vida contemporânea. Nesse lugar imaginário, muitas pessoas passam boa parte da existência tentando se esquecer das chagas que as afligem. Por minutos, horas- em casos mais graves, dias seguidos- tais indivíduos se esforçam para construir um outro "eu" que esteja de acordo com as pressões do meio onde vivem.
Outro aspecto lamentável de se constatar é que esse meio de comunicação pode deixar as pessoas menos criativas. Ao permanecerem "plugadas" o tempo inteiro, elas acabam não tendo tempo sequer para descansar ou para sair a um passeio. Preferem a selva de silício à de árvores de fato. Ora, é com a mente tranquila que normalmente surgem novas ideias. Um exemplo disso é o de Beethoven, que estava passeando em uma floresta quando criou a belíssima Sexta Sinfonia.
Enfim, a internet é como um fármaco. Usada com moderação, é um remédio; usada em excesso, é um veneno. E é triste concluir que o último caso, infelizmente, é cada vez mais comum entre os indivíduos. E assim morrem as oportunidades de ter grandes ideias.
Simples. A "terra do WWW" é, para alguns, o ópio da vida contemporânea. Nesse lugar imaginário, muitas pessoas passam boa parte da existência tentando se esquecer das chagas que as afligem. Por minutos, horas- em casos mais graves, dias seguidos- tais indivíduos se esforçam para construir um outro "eu" que esteja de acordo com as pressões do meio onde vivem.
Outro aspecto lamentável de se constatar é que esse meio de comunicação pode deixar as pessoas menos criativas. Ao permanecerem "plugadas" o tempo inteiro, elas acabam não tendo tempo sequer para descansar ou para sair a um passeio. Preferem a selva de silício à de árvores de fato. Ora, é com a mente tranquila que normalmente surgem novas ideias. Um exemplo disso é o de Beethoven, que estava passeando em uma floresta quando criou a belíssima Sexta Sinfonia.
Enfim, a internet é como um fármaco. Usada com moderação, é um remédio; usada em excesso, é um veneno. E é triste concluir que o último caso, infelizmente, é cada vez mais comum entre os indivíduos. E assim morrem as oportunidades de ter grandes ideias.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Primeiro nos roubam uma flor...
A floresta Amazônica é um ecossistema que concentra uma biodiversidade única de espécies tanto da fauna quanto da flora. Toda essa riqueza natural, associada à grande disponibilidade de água, já despertou o interesse de nações estrangeiras que almejam, a todo custo, internacionalizar esse território brasileiro. Tal fato é peremptoriamente inaceitável e configura uma ameaça à soberania nacional.
Muitos países desenvolvidos que já usaram boa parte dos próprios recursos naturais tentam realizar uma internacionalização de maneira lenta e gradativa. Ela ocorre com a aquisição de terras por estrangeiros, com a instalação de indústrias farmacêuticas e com a abertura ao mercado externo. Esses setores aproveitam essa brecha constitucional visando ao próprio enriquecimento. Há, por exemplo, remédios patenteados a partir de substâncias encontradas em plantas nativas da Amazônia e o Brasil não ganhou um centavo sequer por isso.
Outro fator considerado pelas nações estrangeiras para apoiar a tese de que a Amazônia é um patrimônio da humanidade é a riqueza em água. Tal composto é motivo de briga em muitos países. Garantir o consumo das próximas gerações seria, pois, justificável. Só que isso faria, provavelmente, com que a própria população brasileira ficasse sem água. E esse sim é mais um argumento para evitar que um absurdo dessa magnitude se concretize.
Primeiro nos roubam uma flor e não dizemos nada. Depois nos roubarão um território e uma biodiversidade sem igual e não diremos nada? É fundamental tomar medidas, tais como a intensificação da fiscalização, para evitar que essa riqueza seja colocada nas mãos estrangeiras assim como ocorreu no período colonial.
Muitos países desenvolvidos que já usaram boa parte dos próprios recursos naturais tentam realizar uma internacionalização de maneira lenta e gradativa. Ela ocorre com a aquisição de terras por estrangeiros, com a instalação de indústrias farmacêuticas e com a abertura ao mercado externo. Esses setores aproveitam essa brecha constitucional visando ao próprio enriquecimento. Há, por exemplo, remédios patenteados a partir de substâncias encontradas em plantas nativas da Amazônia e o Brasil não ganhou um centavo sequer por isso.
Outro fator considerado pelas nações estrangeiras para apoiar a tese de que a Amazônia é um patrimônio da humanidade é a riqueza em água. Tal composto é motivo de briga em muitos países. Garantir o consumo das próximas gerações seria, pois, justificável. Só que isso faria, provavelmente, com que a própria população brasileira ficasse sem água. E esse sim é mais um argumento para evitar que um absurdo dessa magnitude se concretize.
Primeiro nos roubam uma flor e não dizemos nada. Depois nos roubarão um território e uma biodiversidade sem igual e não diremos nada? É fundamental tomar medidas, tais como a intensificação da fiscalização, para evitar que essa riqueza seja colocada nas mãos estrangeiras assim como ocorreu no período colonial.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Praga constitucional
Sem dúvida, a ambição dos homens é conflituosa quando o assunto é a preservação do meio ambiente. Devido a esse desejo irrefreável de acumular riqueza, muitas florestas deram lugar a selvas de pedra. E uma das consequências mais visíveis disso é o Novo Código Florestal Brasileiro, que configura um dos maiores retrocessos já vistos no que tange a cuidar da natureza.
Os defensores dessa praga constitucional afirmam que diminuir para 50%- antigamente, 80%- a área de cultivo aumentará a produtividade, seja ela no cultivo de alimentos ou na criação de animais. Embora esse argumento seja seja lógico, ele é pífio se considerarmos as inovações no campo agropecuário. Graças ao maciço investimento em pesquisas, houve um crescimento substancial na produtividade. Esse sim foi um fator determinante na queda do preço dos alimentos e não o aumento de terras cultiváveis, como garante a senadora Kátia Abreu - presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
Outro fato lamentável de se constatar é a anistia dos desmatadores. Ora, se desmatando ilegalmente eles já foram perdoados, imagine o que farão dentro da legalidade? Árvores em um futuro não muito distante só poderão ser vistas em livros de botãnica. Isso soa como música para os grandes latifundiários que, de agora em diante, continuarão a exercer mais influência.
Aliás, esses poderão negociar diretamente com as Prefeituras e com os Estados ao invés de negociar com o governo federal. Não é preciso raciocinar muito para inferir que os Estados que apresentarem uma regra mais flexível irão se beneficiar mais em relação aos outros.
Enfim, o retrocesso na questão ambiental é lastimável. Em vez de pensarem no desenvolvimento sustentável, muitos produtores preferem um lucro imediato. E assim observamos a expansão do "ecossistema" da selva de pedra e das florestas de soja e de outras monoculturas no Brasil.
Os defensores dessa praga constitucional afirmam que diminuir para 50%- antigamente, 80%- a área de cultivo aumentará a produtividade, seja ela no cultivo de alimentos ou na criação de animais. Embora esse argumento seja seja lógico, ele é pífio se considerarmos as inovações no campo agropecuário. Graças ao maciço investimento em pesquisas, houve um crescimento substancial na produtividade. Esse sim foi um fator determinante na queda do preço dos alimentos e não o aumento de terras cultiváveis, como garante a senadora Kátia Abreu - presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
Outro fato lamentável de se constatar é a anistia dos desmatadores. Ora, se desmatando ilegalmente eles já foram perdoados, imagine o que farão dentro da legalidade? Árvores em um futuro não muito distante só poderão ser vistas em livros de botãnica. Isso soa como música para os grandes latifundiários que, de agora em diante, continuarão a exercer mais influência.
Aliás, esses poderão negociar diretamente com as Prefeituras e com os Estados ao invés de negociar com o governo federal. Não é preciso raciocinar muito para inferir que os Estados que apresentarem uma regra mais flexível irão se beneficiar mais em relação aos outros.
Enfim, o retrocesso na questão ambiental é lastimável. Em vez de pensarem no desenvolvimento sustentável, muitos produtores preferem um lucro imediato. E assim observamos a expansão do "ecossistema" da selva de pedra e das florestas de soja e de outras monoculturas no Brasil.
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