domingo, 21 de novembro de 2010

Vida diluída e narrativa

    Olá, nobres leitores ! Deveria dizer leitoras, até porque aqui elas são a maioria que dedicam parte do precioso tempo livre que apresentam em suas rotinas cotidianas muitas vezes caótica. Mas o que posso dizer...A gramática é machista. Estão vendo o título acima? Ele é a síntese de como me sinto nesse momento. Cometi um erro que diluiu meu futuro. E COMO ! 
   Já sei, vocês não são o meu "Muro das lamentações" particular. Por isso, escrevi uma pequena narrativa. Na verdade, essa é uma proposta de redação da Unicamp 2010. Fala sobre a convivência da geração mais jovem com os mais velhos. Divirtam-se ! E já alerto: esse não é um texto autobiográfico.


                                                                 Vida, uma eterna (des)construção


   Sou um jovem comum. Tenho 21 anos e, atualmente, curso engenharia civil. Chegar a esse estágio não foi brincadeira. Foram três- sim, isso mesmo! - anos de curso pré-vestibular. Pouca balada, poucos encontros com os amigos, enfim...Anos de sacrifício.
   Quando finalmente conquistei a minha vaga na universidade, mudei de endereço. Passei a morar com os meus avós. Pensei que não fosse enfrentar dificuldades, pois sempre adorei visitá-los. Quanta ingenuidade !
   Já nos primeiros dias, tive que conferir se eles realmente estavam tomando todos os remédios no horário certo. Que trabalho ! Os dois fogem de comprimidos tal como a presa foge do predador. E ensiná-los a mexer no computador? Nossa...Eles não se lembravam de nada que eu explicava. E a tudo isso se somava as broncas que eu recebia toda vez que eu voltava tarde de uma festa.
   O lado bom de todo esse convívio é, sem dúvida, a troca de experiências. Os dois eram formados em em engenharia civil e, apesar da idade, a memória deles me causava espanto. Imagine você que eles respondiam às minhas dúvidas sobre resistência dos materiais ! E a isso se integrava um carinho e um respeito inigualáveis.
   Embora os conflitos entre as nossas gerações sejam de difícil solução, o amor de avós e de netos prevalece. Na engenharia civil, construirei e demolirei prédios e casas. Na vida, tanto eu como os meus avós viveremos em constante transformação, construindo e desconstruindo saberes. E assim continuamos evoluindo. Fazemos jus à música de Raul Seixas: "...Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante/ do que ter aquela opinião formada sobre tudo...".  
   

domingo, 24 de outubro de 2010

Fundo do baú

Olá a todos !


Finalmente o dono do blog resolve dar sinal de vida ! Se bem que as visitas andam raras, o que não é um motivo de alegria para o escritor que vos fala. Estava arrumando parte dos objetos do meu quarto para realizar a mudança e encontrei uma crônica que escrevi na oitava série ( não sei como esse papel não foi jogado fora!). Que grata surpresa ! E achei também um soneto, ambos sobre idosos. Vejam:


                                                                           Soneto do Idoso


Felicidades fizeram o tempo passar.
Tristezas passaram, mesmo torturantes,
Como o vento esvoaçante
Que passou de repente.


Cabelos brancos apareceram.
Os outros transformaram-se como mágica.
Da pele o liso virou o rugoso
Do que um dia era sedoso.


Dos amigos, poucas amizades
que resistiram ao tempo
que passou de repente.


O preconceito apareceu num instante
Que acaba com toda alta estima
De quem uma vida viveu.




E a crônica junto com o comentário da professora (perdoem-me o exibicionismo, mas não resisti!):


                                                                    Como é difícil envelhecer


   Tudo está mudando em mim...Pele, rosto, o corpo em geral...Tenho dificuldades, aliás muitas, e só agora estou começando a aceitá-las...
   Viver bem com a aposentadoria no Brasil está cada vez mais difícil...Felizmente não preciso usar a aposentadoria para comprar remédios...Ainda bem, pois com todos os preços aumentando hoje em dia, eu economizo bastante...
   Tem aqueles que, quando me vêem na rua ou em outro lugar, me desrespeitam completamente como pessoa...Sinceramente, eu não sou obrigado a aturar tal desrespeito, mas eu tenho pena dessas pessoas...Elas não sabem como é bom compartilhar experiências com pessoas mais velhas...
   E, mesmo com todas essas dificuldades, que são totalmente mesquinhas, sou feliz. Tenho família, amigos, netos...Tenho uma vida normal, com saúde e harmonia.


Comentário da professora : " Você foi muito feliz ao escrever sua crônica, pois conseguiu me passar um texto reflexivo e crítico, e mais, pareceu sim que você era um idoso mesmo. "


E assim acontece a ressurgência das minhas memórias...Mais uma vez...Boa semana a todos ! 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O fármaco virtual

   Um dos fatos históricos que exerceu- e ainda exerce- grande influência na sociedade é, sem dúvida, a disseminação da internet. Com ela, vieram vantagens, tais como uma troca de informações mais rápida entre os indivíduos; porém, na "Pasárgada" imaginária, nem tudo são flores. Por quê?
   Simples. A "terra do WWW" é, para alguns, o ópio da vida contemporânea. Nesse lugar imaginário, muitas pessoas passam boa parte da existência tentando se esquecer das chagas que as afligem. Por minutos, horas- em casos mais graves, dias seguidos- tais indivíduos se esforçam para construir um outro "eu" que esteja de acordo com as pressões do meio onde vivem.
   Outro aspecto lamentável de se constatar é que esse meio de comunicação pode deixar as pessoas menos criativas. Ao permanecerem "plugadas" o tempo inteiro, elas acabam não tendo tempo sequer para descansar ou para sair a um passeio. Preferem a selva de silício à de árvores de fato. Ora, é com a mente tranquila que normalmente surgem novas ideias. Um exemplo disso é o de Beethoven, que estava passeando em uma floresta quando criou a belíssima Sexta Sinfonia.
   Enfim, a internet é como um fármaco. Usada com moderação, é um remédio; usada em excesso, é um veneno. E é triste concluir que o último caso, infelizmente, é cada vez mais comum entre os indivíduos. E assim morrem as oportunidades de ter grandes ideias.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Primeiro nos roubam uma flor...

   A floresta Amazônica é um ecossistema que concentra uma biodiversidade única de espécies tanto da fauna quanto da flora. Toda essa riqueza natural, associada à grande disponibilidade de água, já despertou o interesse de nações estrangeiras que almejam, a todo custo, internacionalizar esse território brasileiro. Tal fato é peremptoriamente inaceitável e configura uma ameaça à soberania nacional.
   Muitos países desenvolvidos que já usaram boa parte dos próprios recursos naturais tentam realizar uma internacionalização de maneira lenta e gradativa. Ela ocorre com a aquisição de terras por estrangeiros, com a instalação de indústrias farmacêuticas e com a abertura ao mercado externo. Esses setores aproveitam essa brecha constitucional visando ao próprio enriquecimento. Há, por exemplo, remédios patenteados a partir de substâncias encontradas em plantas nativas da Amazônia e o Brasil não ganhou um centavo sequer por isso.
   Outro fator considerado pelas nações estrangeiras para apoiar a tese de que a Amazônia é um patrimônio da humanidade é a riqueza em água. Tal composto é motivo de briga em muitos países. Garantir o consumo das próximas gerações seria, pois, justificável. Só que isso faria, provavelmente, com que a própria população brasileira ficasse sem água. E esse sim é mais um argumento para evitar que um absurdo dessa magnitude se concretize. 
   Primeiro nos roubam uma flor e não dizemos nada. Depois nos roubarão um território e uma biodiversidade sem igual e não diremos nada? É fundamental tomar medidas, tais como a intensificação da fiscalização, para evitar que essa riqueza seja colocada nas mãos estrangeiras assim como ocorreu no período colonial.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Praga constitucional

   Sem dúvida, a ambição dos homens é conflituosa quando o assunto é a preservação do meio ambiente. Devido a esse desejo irrefreável de acumular riqueza, muitas florestas deram lugar a selvas de pedra. E uma das consequências mais visíveis disso é o Novo Código Florestal Brasileiro, que configura um dos maiores retrocessos já vistos no que tange a cuidar da natureza.
   Os defensores dessa praga constitucional afirmam que diminuir para 50%- antigamente, 80%- a área de cultivo aumentará a produtividade, seja ela no cultivo de alimentos ou na criação de animais. Embora esse argumento seja seja lógico, ele é pífio se considerarmos as inovações no campo agropecuário. Graças ao maciço investimento em pesquisas, houve um crescimento substancial na produtividade. Esse sim foi um fator determinante na queda do preço dos alimentos e não o aumento de terras cultiváveis, como garante a senadora Kátia Abreu - presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.
   Outro fato lamentável de se constatar é a anistia dos desmatadores. Ora, se desmatando ilegalmente eles já foram perdoados, imagine o que farão dentro da legalidade? Árvores em um futuro não muito distante só poderão ser vistas em livros de botãnica. Isso soa como música para os grandes latifundiários que, de agora em diante, continuarão a exercer mais influência.
   Aliás, esses poderão negociar diretamente com as Prefeituras e com os Estados ao invés de negociar com o governo federal. Não é preciso raciocinar muito para inferir que os Estados que apresentarem uma regra mais flexível irão se beneficiar mais em relação aos outros.
   Enfim, o retrocesso na questão ambiental é lastimável. Em vez de pensarem no desenvolvimento sustentável, muitos produtores preferem um lucro imediato. E assim observamos a expansão do "ecossistema" da selva de pedra e das florestas de soja e de outras monoculturas no Brasil.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Solução alternativa

   Já é mais do que evidente na sociedade o fato de que os governos estão sem condições de promoverem mudanças significativas no que tange ao bem-estar social. Tal afirmação se alicerça no número absurdo de desvios de verbas que, de tão comuns, aparentam ser crônicos. Nesse contexto, o Terceiro Setor- as organizações não-governamentais mais conhecidas como ONGs- tem um papel substancial para promover melhorias na vida do cidadão.
   Essas entidades, apesar de fazerem parte do setor privado, não visam ao lucro. Ou seja, elas não apresentam um desejo inesgotável de acumular riquezas. Ora, se não há ganância e uma "ética" de mercado, então é possível inferir que a principal meta será ajudar as pessoas que não são assistidas pelo Estado de bem-estar social.
   Outro aspecto interessante a ser ressaltado por esse Setor é que ele estimula a participação comunitária. Isso gera nos indivíduos uma noção maior de coletividade, o que contribui para que esses ajam de maneira ativa na resolução de problemas na sociedade.
   A adesão ao Terceiro Setor é fundamental para consolidar a democracia. Assim, cada cidadão terá consciência dos próprios direitos e deveres e poderá ajudar a resolver de forma alternativa estigmas sociais que tanto flagelam os indivíduos da sociedade.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Compro, logo existo

Consumo. Essa palavra aparentemente simples é um dos pilares que alicerça o capitalismo. É o consumo que faz com que muitas empresas prosperem enquanto outras decretam falência. Descartes formulou a célebre frase "Penso, logo existo" ao questionar a própria existência. Hoje em dia, com uma frase semelhante, podemos afirmar : "Compro, logo existo".
Para comprovar esse pensamento, pode-se recorrer a um fato muito simples: quem vive em condição miserável não existe para as empresas. Esses indivíduos não são interessantes do ponto de vista econômico, pois em nada podem contribuir para movimentar as engrenagens dos motores da economia. Ora, se não há gastos, as empresas não têm lucro, tampouco inovação e desenvolvimento.
Será isso que faz com que o governo invista em programas sociais como o Bolsa Família? Não. Esse programa apenas cumpre um papel de tapar buracos. O problema em si não é resolvido. A economia ficaria mais aquecida se esses "fantasmas" se materializassem, ou seja, com a criação de empregos cujos salários sejam dignos para sustentar uma família. Assim, essas pessoas apresentariam um poder aquisitivo maior e, consequentemente, haveria um aquecimento da economia.
Outro aspecto interessante a ser analisado é o quão real você pode ser aos olhos do capitalismo, porque existem também seres translúcidos e outros extremamente materializados. Como? Há uma classificação nas entrelinhas e o principal fator que a embasa é o poder aquisitivo. Como já foi mencionado, os mais pobres não fantasmas que contribuem muito pouco. Já os de classe média são translúcidos, podem contribuir mais. E enfim há os mais abastados que consomem muito mais. São os seres materializados de fato. Esses sim usufruem de luxos e podem sustentar todo um sistema cruel que impede, muitas vezes, a ascensão social de classes inferiores.
Após essas reflexões, pode-se concluir que só existem no sistema capitalista os indivíduos que podem contribuir de maneira significativa com os motores da economia. Só assim os empresários podem nadar no mar de doláres ou, melhor ainda para eles, no de euros. Quem não tem condições de lubrificar esse motor com óleo(aqui, o dinheiro) fica à margem da sociedade e com pouquíssimas chances de ascender socialmente. E assim permanessem essas almas penadas que os capitalistas fazem de tudo para esconder.